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Rúben Salgueiro

Artigo de opinião

Inteligência Artificial: chegámos a um ponto sem retorno

Uma reflexão sobre a aceleração da inteligência artificial, o impacto no trabalho e na educação e a urgência de adaptação das organizações.

Figura humana perante uma cidade futurista e uma representação luminosa de inteligência artificial em forma de cérebro.

O ponto sem retorno

Depois de quase três anos a trabalhar diariamente com ferramentas de IA generativa e agentes de IA, sinto que chegámos a um ponto sem retorno — é necessário despertar consciências. A grande maioria das pessoas ainda não tem noção do que aí vem.

Este é o primeiro texto que escrevo sobre o tema porque considero que este é o momento certo. A IA não é uma buzzword. Não é apenas hype. É provavelmente a maior revolução silenciosa da história da humanidade.

A aceleração já está a acontecer

Não é daqui a dez anos. Não é apenas mais uma bolha em San Francisco. É agora.

Nos próximos dois a três anos, tudo vai mudar a nível global. Para sempre. A questão já não é se vamos adotar. É quão rápido o conseguimos fazer.

O impacto no trabalho e nas competências

A realidade, quando começamos a usar a sério, é simples: hoje fazemos em horas ou dias o que há poucos meses demorava meses ou anos, com menos pessoas, com menos dependência de competências altamente especializadas e com impacto transversal.

  • Simplificamos processos.
  • Impulsionamos a excelência operacional.
  • Automatizamos tarefas administrativas.

A base do mundo digital sempre foi: programação mais matemática. Essa base está a ser rapidamente absorvida. A partir deste ano, grande parte destas competências passará a ser executada por IA. E isto é apenas o início: todos os setores com tarefas automatizáveis serão impactados.

Educação e novas gerações

Há algo ainda mais crítico:

  • Grande parte do que as novas gerações estão a estudar terá pouca aplicação prática.
  • O sistema de ensino não está suficientemente preparado para o que aí vem.

Estamos perante algo muito mais disruptivo — e potencialmente mais perigoso — do que a maioria imagina. Este já não é um momento de experimentação. É um ponto de não retorno. Estamos, muito provavelmente, perante a maior revolução da sociedade moderna.

Dos modelos multimodais aos agentes autónomos

Com as evoluções mais recentes dos LMM (Large Multimodal Models), como os da Anthropic e da OpenAI, os agentes de IA deixaram de ser um conceito futuro:

  • Já planeiam, decidem e executam tarefas complexas de forma autónoma.
  • Tudo o que puder ser automatizado, será.
  • Milhões de empregos irão desaparecer ou ser profundamente transformados.

AGI, ASI e a velocidade da mudança

E isto ainda está no início:

  • Nos próximos três a cinco anos: AGI (Artificial General Intelligence) — sistemas mais inteligentes do que qualquer especialista humano.
  • De seguida: ASI (Artificial Super Intelligence) — sistemas mais inteligentes do que todos os humanos combinados.

Vai acontecer mais rápido do que imaginamos. E mais rápido do que a sociedade está preparada. Isto ainda sem falar de robôs humanoides.

O imperativo para as organizações

Governação, arquitetura, cibersegurança, definição de processos, casos de uso e gestão da mudança são essenciais para qualquer estratégia ou esquema diretor de IA nas organizações.

Adaptar deixou de ser opcional

Quem não se adaptar, vai ficar para trás. Adotar rapidamente deixou de ser opcional.